“Policial não substitui políticas públicas”, diz colega de assistente social detida em serviço na cracolândia

Na terça-feira (20/06), uma funcionária da ONG SAEC uniformizada e à serviço da prefeitura foi detida na Praça Princesa Isabel. Ela teria insistido em acompanhar a abordagem de policiais militares à duas pessoas em situação de rua, supostamente dependentes químicas. No dia seguinte, seus colegas de trabalho marcaram um ato no mesmo lugar da prisão, mas mudaram o local por medo de represálias da polícia.

Os assistentes sociais da ONG contratada pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social percorrem diariamente a região para oferecer apoio especializado à quem vive na rua, indicando vagas em albergues e comunidades terapêuticas, orientando como tirar documentos novos no Poupatempo, além de fazer a ponte para outros serviços de saúde. Apesar de trabalharem no “fluxo”, como os frequentadores chamam a aglomeração de usuários de crack, na hora da manifestação em defesa do seu trabalho avaliaram que seria melhor garantir a segurança e a integridade física dos usuários. Isto significa manter a polícia longe.

O medo era que alguém gritasse palavras de ordem contra os policiais e isto desencadeasse um conflito. A manifestação aconteceu, então, a três quadras dali, na R. Helvétia, entre a tenda do antigo programa municipal De Braços Abertos e uma unidade de saúde mental do estado.

Segundo uma pessoa que trabalha nesta ONG e preferiu não se identificar, “a única coisa que coloca a gente em risco é a polícia ficar mudando os usuários de lugar toda hora”. Brigas e confusões costumam acontecer em momentos de tensão como estes.

O Observatório de Remoções acompanha os desdobramentos da operação policial que expulsou pessoas em situação de rua e usuários de drogas da R. Dino Bueno, perto da esquina com a R. Helvétia, e lacrou quase todos os hotéis, pensões e bares da quadra. Esta intervenção policial também é uma intervenção urbana que ameaça moradias populares na região.

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